Thursday, June 28, 2007


Quadris

Quadris estreitos, quadris largos, abrem o apetite, dançam em curvas e parábolas sem disciplina, incontinentes a revovler uma culpa pecaminosa ou tenras rendições ás paixões mais furiosas. Se perdem num horizonte de tesouros, dramas e aroma de terra molhada; Telúrico delírio, incoontinente fascínio, enrijecendo a pele e relaxando os músculos, brindando um breve momento de eternidade. Quadris que desdenham e cogitam, cheios de razões e sentidos, se excitam sob a luz da lua, sobre lençóis macios; Tão próximos das pernas para andar, do ventre para gerar, se calam na solidão de um corpo só, esperam que sopros de inspiração lhes tragam outros mais, nus e livres, que igualmente seguem num suplício sedento, brincando com os sentidos e os olhares atentos, simplesmente vivos. Quadris estreitos, quadris largos, como braços de rios inesgotáveis, em busca de uma foz, em busca de mais; Ora estranhos, recônditos segredos mantidos em silêncio para que no tempo certo sejam revelados, satisfazendo-se em doces loucuras, sem o menor pudor de nada. Ora apenas sendo o que se é, comuns; Podem tudo e quem é que dirá algo contra? Não se diz nada contra o que se ama. Despidos de toda regra, podendo ser o que quiserem ser, sincero prazer ou intocável paraíso, amados em curvas e parábolas, seguem para sempre mais, e graças a eles por isso...

Sunday, June 17, 2007



PARIS HILTON SYNDROME


Priscila era uma adolescente normal, caçula da casa, querida pelo irmão mais velho e orgulho dos pais pelo seu jeito educado, prestativo e as boas notas no colégio. Os cabelos longos e olhos levemente verdes eram apenas detalhes que tornavam a menina mais querida pelos professores e amigos. Era exemplar aluna, disciplinada nos estudos e super articulada e precisa em seu linguajar. Quando participava de um grupo para apresentar um trabalho diante dos colegas de classe, era sempre escolhida como líder e oradora; Ninguém combinava tão bem carisma, conteúdo, postura e aplicação quanto Priscila. Realmente era um primor de menininha, que se diferenciava das demais justamente por cultivar virtudes que a faziam ser respeitada pelas pessoas mais velhas; procurava sempre estar lendo algum livro, via o telejornal na tv para ao menos compreender um pouco a lástima de país em que vive e o mundo louco que parece tremer de febre...A menina até tinha argumentos plausíveis para dialogar sobre aquecimento global e corrupção no planalto central.
Mas nem tudo são flores e ás vezes o leite azeda; O que tinha tudo para ser uma jovem de méritos e naturalmente uma grande mulher, subitamente mudou seu comportamento, postura, prioridades, circulo de amigos e então se iniciaram os atritos em casa:
- Oi mamyyyy, cheguei!
- Olá querida, chegou mais cedo da aula? O que houve?
- Ah, não tava com saco pra aturar aquela aula “down” de matemática, afff mamy, ninguém merece aquilo...
- Mas você sempre gostou de matemática, sempre teve notas boas e falava super bem da professora, elogiava a didática dela e tudo mais.
- Pois é mamy, isso era a muuuito tempo atrás, hoje eu não tenho saco, a aula dela é pura gastação de paciência!!!
- Hum, não sabia que tinha mudado de opinião a respeito da matéria, meu amor, mas tudo bem. Vá tomar um banho e vem almoçar, já está pronto!
- Ok mamys fofys, hihihih. T doru.

Priscila no caminho para o quarto faz uma parada no sofá, em frente á tv e ali ficou, esquecendo até da fome, até sua mãe a abordar:

- Meu amor, ainda está aí? Você sempre chega com fome da aula...!
- Ah mamy, é que eu amo esse canal e essa cantora!
- Hum, que canal é esse?
- Emitivi mamy, e essa cantora super 10 é a Britney Spears, ela arrasa mamy! Olha que demais essa blusa dela, e o jeito que ela dança; os caras simplesmente babam por ela, e ela arrasa demais mamy!

A mãe de Priscila sem entender a mudança de gostos drástica da filha, apenas sorri, enquanto se pergunta o que houve.
Os dias vão passando e a menina mudava cada vez mais, mudou o cabelo pra um loiro ofuscante, comprou blusinhas em tons pink, barriguinha de fora, anéis e pulseiras botinhas e sapatos de vinil; Parecia uma tentativa de se aproximar com o visual das cantoras que ela tanto dizia adorar, mas antes fossem só as roupas; O jeito de falar, carregado agora de gírias e expressões da moda usadas em profusão nas rodinhas de adolescentes voadores, imbecis apresentadores da Emitivi e congêneres.:
- Mãe, a Marcinha comprou uma bolsa irada!!! Estilo aquelas que a Paris Hilton usa, e também aquela modelo maravilhosa que veio aqui no Fashion week, e arrasou!A Marcinha arrasa mãe! Ela tem popularidade, as meninas têm ela como referência de bom gosto e descolamento!
- Descolamento meu amor? Descolamento de neurônios? Rs...
- Hihihihihi, não mamyyyyyy. Descolamento no jeito de ser, tem que ver o gatinho que ela ta pegando agora! Lindo, parece aquele gatinho que entrou agora na malhação...
- Hum, entendi meu anjo.
- A Marcinha nem estuda direito mãe; tem professor que dá nora pra ela de graça, acham ela linda, babam. Tem até um deles que vive cantando ela pra sair com ele, ela tem o cara nas mãos mamyyyyyyy!!!
- Sério filha? Que surpresa! Você sempre criticou esse tipo de menina, achava fútil esse tipo de atitude...
- Ah mamy, eu era uma “nerd”, desligada, “outside”, mas agora percebi que a vida é pra se curtir e curtir muitoooo!
- Quer dizer que antes você não aproveitava sua vida filha? Pensa de fato assim?
- Ah mamy, até aproveitava, mas eu lia muito, sei lá. Era toda séria, e eu não acho mais graça ser assim. Eu sou super bonita, as pessoas vão me adorar de qualquer jeito. Eu até estou ficando popular, graças á amizade com a Marcinha! O grupo dela é super 10 mamyyyy!
- Bom meu amor, pode até ser, mas o que me preocupa é que suas últimas notas caíram bastante, você tirou duas notas vermelhas e as azuis caíram muito em relação ás do último mês...Eu conversei isso com seu pai e ele também ficou muito surpreso! Também te notou mais distante, você não estuda mais de tarde, prefere hoje ir pro shopping, ficar de conversa com suas amigas.
- Ah mamy, desculpa. Eu ando meio relaxada mesmo, mas prometo que vou recuperar essas notas baixas.
- Assim eu espero mocinha, assim eu sinceramente espero, senão vou ser obrigada a mudar minha atitude com você e a forma como sempre te vi até hoje...Entendida?
- Isso é uma ameaça mamyyy???
- Não, um conselho de amiga, por que como sua mãe e amiga, estou preocupada com essa “nova” Priscila! Parece outra pessoa, se tornou aquilo que sempre criticou; Elogia e acha legais coisas que nunca gostou, ou nunca deu tanto valor assim. Eu prefiro a Priscila antiga.

A menina soluçante abaixa a cabeça e diz:

- Mamy, mas eu sou mais feliz assim desse jeito, me sinto querida pelos outros e parte de um grupo, uma sociedade, um mundo, entende?
- Existem vários mundos querida. Não precisa fazer o que todas fazem, ou o que você vê na televisão, para se sentir querida pelos colegas da sua idade...Você sempre foi respeitada, inclusive por seus professores; A professora de história sempre te elogiava pra mim, quando me via em algum lugar!
- Ah, que legal mamy! A profy Elisabeth é 10 sim! Rs
- De fato muito cordial e simpática.
- Mamys, foi TDB trocar essa idéia contigo, mas tenho que ir agora; marquei com as meninas no shopping de tarde, os meninos vão também hoje; Tem um gatinho mãe que nem te contooooo.... Serginho play, TDB!
- “Serginho play?” Que nomezinho hein! E aquele menino que te adorava, filho da professora Augusta...? Qual era o nome dele mesmo?
- Luis Henrique mamy, mas eu já até esqueci dele viu, ele é muito certinho, gostava de falar de filmes, artes, essas coisas chatas, afff...Rs
- Nossa mocinha, estás mudada mesmo hein! Você achava ele educado, gentil, agora diz que nunca mais falou com o rapaz?
- É mamy, ele se tornou chato demais!
- Tem certeza de que foi ele quem mudou?
- Tenho mamy, absoluta. Agora deixa eu ir senão me atraso muito.
- Ta certo meu amor, mas não volta de noite como da última vez não, ok? Seu pai ficou louco de preocupação contigo!
- Ok mamyyyyy...Rs

A menina dá um beijo no rosto da mãe e sai apressada rumo ao shopping.

Nesse dia, Priscila chegou nove horas da noite, provocando assim uma grande discussão entre ela e os pais. O tom foi ofensivo, com acusações de ambas as partes. O pai instituiu um castigo por tempo indeterminado e restringiu a menina de uma série de privilégios, como semanada generosa em dinheiro vivo e leva-e- trás das baladas.
No dia seguinte os pais marcam um encontro e conversam sobre o que fazer com a menina; Decidem então levá-la a um psicólogo, especializado em juvenis, adolescentes-problema. Ligam e marcam a consulta para dali a dois dias. Quando a menina chegou, supostamente da aula, no meio da tarde, a mãe a comunica de que terá uma consulta, lhe diz o dia e hora e faz a pergunta:

- Estamos entendidas?
- Com certeza mamy, com certeza... (Ironicamente)

Chega então o dia marcado, e a mãe nitidamente apreensiva espera no carro a filha terminar de se vestir, e quando esta chega, a mãe indignada ordena:

- Vá agora trocar essa roupa. Aonde pensa que vai?
- Oras, vou ao médico mamy.
- Desse jeito parece essas mulheres perdidas que ficam pelas ruas fazendo ponto. Vá agora trocar essa saia, tirar esses anéis, tirar esse brilho doa lábios, se vestir como uma menina decente de família. Agora.

A menina maldizendo a vida e a atitude conservadora da mãe, sobe e se troca, e então partem rumo ao consultório médico.
Lá chegando, o médico conversa primeiro em separado com a mãe e depois chama Priscila para umas perguntas e um bate-papo. Após umas duas horas no consultório médico, o doutor chama a mãe em particular e dá o diagnóstico fatídico:
- Lamento-lhe informar, mas sua filha apresenta um quadro típico de P.H.S !
- P.H.S? Mas o que é isso doutor? (assustada)
- È uma Síndrome, minha senhora. “Paris Hilton syndrome”.
- Paris Hilton syndrome? Mas como assim doutor?
- Isso mesmo! Síndrome Paris Hilton.
- Mas o que é isso doutor? Acho que já ouvi esse nome, em algum lugar; A Priscila volta e meia falava esse nome...O que é? Uma banda, uma cantora?
- Antes fosse, seria menos destrutiva, eu acho. Paris Hilton é uma menina rica e muito conhecida, que é idolatrada por milhões de meninas ao redor do mundo que sonham ser como ela, o que é uma lástima na minha humilde opinião. Essa influência é amplificada pelo foco que a imprensa mundial dá a essa pessoa...Isso só alimenta os sintomas da síndrome nos jovens de todo mundo.
- Mas o que quer dizer essa síndrome? Quais são os sintomas doutor?
- Bom, a síndrome acomete em geral jovens, de ambos os sexos, mas há um número enorme de adultos que igualmente apresentam as características da síndrome, o que é mais delicado por se tratarem de adultos e terem desenvolvido mecanismos naturais de defesa ante a enfermidade. As pessoas acometidas apresentam sintomas similares aos da “personalidade” que dá nome á síndrome: Basicamente são fúteis, inúteis e alienadas, criam um mundo pseudo-glamuroso, usam sua popularidade para alimentar o ego miserável ao invés de divulgar boas idéias e causas, se esforçam para serem adorados por sua “beleza”, bens e objetos que são desejos de consumo do momento, não se informam, são ignorantes, egoístas, frágeis (emocionalmente), e buscam se sentirem menos patéticas através da futilidade e consumismo compulsivo, na maioria dos casos têm acessos de irritação, bebem para justificar atos extravagantes, vivem cercados de pessoas que de alguma forma batem palmas para a superficialidade e priorizam a imagem acima da própria alma. Não posso me esquecer que no caso dos pacientes do sexo feminino, o seu jeito de andar é afetado também!
- Como assim doutor? O jeito de andar?
- Sim, elas acham que estão em uma passarela, idolatram essas modelos de passarela, em geral, e procuram andar da mesma forma que as mesmas, sem se dar conta do ridículo. Fazem caras e bocas sem a menor naturalidade e se julgam capazes de dominar qualquer pessoa do sexo masculino, através da sedução barata: A comunidade cientifica chama isso de “Cow sensuality!”.
- “Cow sensuality?”.
- Sim, sensualidade de vaca, no português mais claro que albino nu no pólo norte...Hohoho...Desculpe-me, foi apenas uma brincadeirinha. (Se desculpa o médico, sem graça pela ironia).

A mãe com cara de temor, sem saber o que fazer para livrar a filha da síndrome, pergunta:

- Doutor, eu e meu esposo estamos dispostos a tratar nossa filha da melhor maneira, para que ela possa se curar. A quais tratamentos podemos recorrer? Há algo que possamos fazer para que ela volte a ser a menina de antes? Ela está insuportável doutor, nos ajude, por favor...
- Minha senhora, lamento, mas não há tratamento com medicação para esse caso. A solução imediata seria mudar de planeta, ou viver no meio do mato, longe dos grandes centros e de qualquer tipo de mídia: Ou seja, improvável... O que se tem a fazer no caso dos jovens é deixar o tempo passar, ser amigo deles e sutilmente conversar, se interessar pelo que eles pensam: Alguns despertam e assumem uma personalidade própria, com base naquilo que aprenderam de valor com os pais e com a sociedade, na escola. Outros se perdem e nunca conseguem se livrar dos sintomas, assumindo de vez as características da síndrome; São nesses casos que temos os adultos com P.H.S. No caso deles, só se verão livres da síndrome quando morrerem...Infelizmente
- Entendi doutor.
- Pelo que me contou de sua filha, ela tem grandes chances de se livrar da síndrome, pois há bem pouco tempo atrás era uma jovem sã, não é mesmo?
- Sim doutor, era sim.
- Então, deixe o tempo passar, ela vai amadurecer, crescer, seja amiga sempre, e mais cedo ou mais tarde ela vai voltar ao que era antes, completamente curada, e quando se lembrar dessa época de P.H.S, vai dar risada de si mesma! Pode apostar. (O médico sorri).
- Obrigada doutor. Se Deus quiser, minha filha vai se curar.
- Qualquer dúvida a senhora pode ligar e falar diretamente comigo, tudo bem?
- Sim doutor, eu ligo sim. Muito obrigada
- Passar bem, bom dia
- Bom dia pro senhor. Tchau.

A mãe saí da sala e sorri para Priscila:

- Vamos meu amor? Ainda tenho que passar no banco antes de irmos para casa...
- E o que o doutor falou de mim?
- Você não tem nada meu anjo, são coisas da idade, simplesmente coisas da idade.
- Te amo muito sabia?
- Também te amo meu anjo, mas por favor, evite me chamar de “mamy”, será que consegue?
- Claro que consigo mãe...


Monday, June 11, 2007


SÓ FALTAVA VOCÊ
Só faltava você, e desde que não te vi mais por perto, tinha plena certeza de que mais cedo ou mais tarde chegaria. Poderia durar dias, meses ou mesmo anos, mas a cidade, as ruas, as cores que vemos, a casa, esperavam sentir novamente a sua presença para que pudessem reencontrar uma razão de ser. Quando chegar, vai notar que suas coisas estão organizadas, assim como as deixou naquele último dia; As posições dos objetos absolutamente iguais, com sua cara e sua preferência. A casa jamais seria a mesma sem seu olhar minucioso, detalhista a perceber formas e jeitos de organizar, tornar o ambiente mais aconchegante. Na mesa de jantar, seu lugar nunca foi ocupado, vai encontrar um prato e os talheres com cabo de madeira envelhecida, assim como a taça que comprou em uma de nossas andanças e visitas a pedaços desconhecidos do mapa; A taça que brindava noites tão perfeitas, sorrisos tão tranqüilos que me faziam sentir um bem e em trégua com o mundo. As datas, o natal, só são se você estiver; A guirlanda na porta, vários tipo de noéis espalhados pela sala, a árvore colorida a piscar, me descansando os olhos, a certeza inabalável de que o ano que chegava seria melhor que o ano que passava, seria vitorioso! As pessoas que conhecemos perguntam por você, curiosos, surpresos, com cara de espanto sem entender o por que da demora, o por que de uma ausência tão silente e fria.
Não se troca um lugar seguro pelo mundo mau! Nada terás de verdade, nem um punhado de fantasia. O que há de ser melhor do que receber o abraço daqueles que te amam, confiar, sorrir sem medo, um navio ancorado em um porto seguro e em descanso, sabores e fragrâncias delicados, estradas que se perdem no horizonte pra se guardar no olhar, o sabor celestial de sentir o que é paz e madrugadas amigas, como outrora, como nunca antes...
Só faltava você, faltava esse rosto cheio de vida, esse olhar que me faz acreditar que pra tudo há uma saída e sempre haverá. Tudo aqui te espera, conhecedores de suas virtudes e suas falhas, sua teimosia ao negar o óbvio que se vê e a mesma teimosia ao acreditar no impossível, esperar dias melhores para as pessoas, para o país, no teu universo íntimo...; Desse jeito assim, que ninguém mais tem e terá, os abraços mais tenros pra lhe acariciar os sentidos, água morna na banheira a relaxar teu corpo rendido ao prazer, um ombro aonde chorar nos dias maus, contas e deveres do cotidiano a preocupar de vez em quando, planos, por que sem sua presença não se faz mais planos, e achar que se fariam por si só seria um mero engano, tolo. O tempo caminhando como sempre, as cores que vemos, as confissões mais nuas guardadas a sete chaves, precisam te ver aqui...
Só faltava você pra que essa vida vivesse a si mesma, e será dia claro emoldurando sua chegada; Partida, chegada, um encontro como capricho do acaso, serão pontos que começaram e terminarão quando te disser por fim, frente á frente: “Só faltava você...”.

Wednesday, May 30, 2007


Caminho e abrigo

O mundo é imenso e você começa agora sua longa caminhada, partindo de algum ponto que é perto de algum e longe de milhares de outros. A poeira em seus pés cansados te ajudará a contar uma história única: A sua história, cheia de adornos e detalhes afeiçoados em sorrisos, lágrimas, conquistas, perdas, sangue e suor; mesmo entre a multidão, na essência você será só, por que será apenas você escrevendo na areia seus pecados, seus desejos e sua lei. O sol escaldante do dia te queimará a pele e trará a sede pela água cristalina da verdade, a maior delas assim como a que se guarda na alma. A noite gelará tua carne, te fazendo tremer e imaginar um abrigo seguro, com pão, água e uma fogueira amena. Dos erros e acertos como fruto de suas escolhas, colherás o aprendizado e sabedoria, que nunca de tua mente e coração serão roubados; Ao longo, distante, colhendo flores e ofertando a quem te encantou, a quem te trouxe paz aos sentidos e ao peito, e nem sempre recebendo o mesmo bem em troca. De grande valor te será aprender a superar a decepção, o sabor amargo da frustração, ingratidão ou mesmo pedras contra teu corpo, pois no fundo te tornam mais forte, te ensinam a abrir os braços às primícias de um novo dia.
O conforto de se partir e saber que se tem para onde retornar, braços cheios de afeto que sentem saudade e nem por um só momento esquecem de quem está ausente. Em um mundo por vezes frio, estar só, é uma condição indissociável, estranho passar de dias sem motivo, partida sem chegada não seria exagero. Estenda a mão e seguro forte a uma outra, por que algo há de ser verdade no meio de tanto néon pra confundir o olhar, tantos personagens...; Algo há de ser verdade além da poeira, do sol escaldante e da decepção; A fome de algo sólido, que traga uma infantil esperança. Esperança essa que cada um tem dentro, e nos torna famintos para vê-la nas coisas ao redor Essa verdade é aquele tesouro que se guarda á sete chaves, pra ninguém ver, ninguém tocar, apenas quem merecer, um amigo fiel, um sorriso de pai, um abraço de irmãos, o olhar de uma criança...
Mantenha-se bem, mesmo com tropeços, quedas e recomeços, pois quando em algum ponto desse vasto mundo, assim vasto como teu coração, encontrares abrigo para te proteger do frio da noite, e lâmpada para te iluminar os olhos quando tudo escurecer, você entenderá que de tudo o que aprendeu em seu caminho, nada foi em vão.

Tuesday, May 22, 2007


“Vai te fudêire gajo...”

Me lembro como hoje de umas tardes frias, nubladas: O invernão dando as caras e no começo ainda suave. Matar aula era o máximo, o gostinho agradável de se transgredir, burlar mesmo sabendo que aquilo poderia nos custar advertências notificadas ou mesmo suspensão de dois dias! (Sim, o colégio em casos que considerava mais contundentes, suspendia os pobres adolescentes por dois dias...). Nessas escapadas o habitual era ir para o shopping tomar uns chopps e fumar Free light ou cigarro de canela: Aquelas lojas todas, tanta coisa bonita nas vitrines, aquele cheiro de coisa nova no ar, e o grupo de púberes mais incontinentes daquele colegial volta e meia lá pra tomar choppinho e conversar em meio á fumaça daqueles cigarros magrelos: Ninguém bebia para comemorar uma promoção ou um fechamento de uma grande venda, ou por dor de cotovelo, também não se fumava por solidão ou ansiedade, mas sim pelo novo, pelo provar daquilo que os adultos faziam naturalmente, pois era “péssimo” ainda não ser adulto...Mas sempre, religiosamente sempre antes do shopping, passávamos na banca da esquina da rua do colégio, no “tio”. Ele poderia se chamar fulano ou cicrano, até mesmo Adalberto, mas isso ninguém sabia e nem sabe até hoje. O “tio”era português, não tinha chapeuzinho mas um bigode feio, como todo português clássico; Isso já era motivo para pegar no pé de um colega nosso, que tinha pai português (Um dos velhos mais mal-humorados que já conheci na vida!...), e bastava pro cara ficar indignado e mandar todo mundo pra um lugar bem feio...
Na banquinha do tio sempre estava rolando algum som legal ou mesmo o rádio tocando os sucessos populares. Quando uma de suas filhas estava lá pela manhã, sempre tinha um rock legal: “Marcante” foi ver ela abaixando na nossa frente, com uma calça jeans justíssima, pra pegar alguma coisa pra um cliente, ao som de “Back in black” do Ac/Dc: A rapaziada foi ao delírio com aquela “afronta” aos hormônios juvenis!
Quando era o tio atrás do balcão, ele sempre estava conversando com alguém sobre os mais variados assuntos: O jogo de domingo, os crimes e furtos do fim de semana que ilustravam os tablóides mais populares, a inflação, a grana curta e qualquer coisa que se conversa com qualquer um na rua...Sempre que passávamos lá, tinha um cara sentado num banquinho, ao lado do balcão, discutindo alguma coisa com o tio, e sempre que os dois confrontavam as opiniões ou o rapaz pegava no pé do português por uma derrota do seu time, por exemplo, ele mandava na lata ás risadas; “Vai te fudêire gajo”...Era assim que eu entendia. O tio era portuga gente boa, vivia rindo das malcriações que ele mesmo falava mas sempre atendia bem á galera: Eu costumava comprar amendoim e chiclete, sendo que o amendoim era diário; Ele tinha aqueles potes grandes cheios de amendoim salgado e uma pequena xícara como medida; Perguntava quantas medidas você ia querer, e se não me falha a memória, cada uma custava trinta centavos...
O tio foi um personagem clássico daqueles dias especiais, que nem eram tão especiais enquanto eram vividos, mas como tudo o que vai, deixaram muita saudade em mim. O tio também deixou saudade; Beirando o emblemático, amigos de juventude sempre juntos, passando ás pressas na banquinha de revistas e doces, afoitos, na correria pra não perder o ônibus do horário ou para ir conversar no shopping.
Eu, volta e meia me pego dizendo “Vai te fudêire...” em pensamento pra “N” coisas; Peneirando o que se vale à pena guardar e o que se deve ignorar e esquecer, como quem escolhe cores, como quem escolhe as conchas mais legais na praia, as flores mais bonitas no canteiro: Se sorri a quem ou o quê se gosta e se diz “Vai te fudêire” sempre que algum/algo te desagradar, ou não te trouxer algo de bom, não te fizer bem ou parecer te roubar a luz...Saudade daqueles tempos inocentes e do “Vai te fudêire” do português da banca, que tanto nos fazia dar risada, nos divertindo com aquela irreverência carregada de sotaque luso que fazia até o próprio rir de si mesmo...! Se você não é como o tio, tem sangue de barata e nunca mandou alguém ou algo se fudêire, me desculpe, mas tenho que lhe dizer: Vai te fudêire gajo!

=)

Tuesday, May 01, 2007


CONSPIRAÇÕES

- Hei Bob, acorda.
- Hum...
- Sério, acorda, está acontecendo algo errado.
- Hum, deixa eu dormir Mya...tsc
- Você tem que acordar preciso te contar uma coisa séria.
- Aiii meu papai do céu, o que você quer a essa hora da madrugada mulher?
- Acho que estamos sendo vitmas de uma conspiração!
- O que? Que história é essa mulher?
- Eu juro!
- Mas que tipo de conspiração, me explica melhor.
- Poxa Bob, será que você ainda não percebeu?
- Não, nada, só percebi que estou perdendo preciosas horas de sono com essa sua loucura de conspiração...Putz.
- Está havendo sim uma conspiração: Eu liguei pra Ligia, minha melhor amiga e o celular está desligado há dias, parece que ela não quer me atender.
- Que nada, o celular deve estar sem bateria, ou devem ter roubado dela...
- Não, a Lígia é metódica, ela não desgruda do celular. Fica ligado vinte e quatro horas por dia...
- Bom, se você diz...
- O meu chefe mandou eu passar no DP pra assinar meu aviso prévio.
- O que? Você não tinha me contado isso.
- Eu sei, mas ia. Estava apenas esperando um tempo, por que eu ia tentar conversar com ele, pra ver se mudava de idéia, mas ele foi irredutível!
- Não se preocupe. Posso te ajudar a encontrar outra coisa, agora vamos dormir, vamos?
- E outra: A dona Lurdes e seu Rick não falaram comigo ontem pela manhã: Dei bom dia, como todo dia faço, com o sorriso no rosto, eles me olharam com uma cara de velório e nada disseram.Simplesmente se viraram e entraram no carro...
- De fato estranho!
- Cortaram a luz da gente também, o funcionário da companhia de luz jurou que estávamos dois meses atrasados.
- A luz?
- Sim, a luz. Cortaram!
- Eu não percebi.
- Como não? A casa está ás escuras! Você não percebeu?
- Não, as luzes acenderam normalmente comigo.
- O Guincho levou meu carro, todos na rua estavam com roupas de tons avermelhados e apenas eu estava de Branco: Você sabe o que é olhar pra uma avenida inteira e todo mundo de vermelho, e só você de Branco? È incrível!
- Nada, mero acaso vai.
- O que achei mais estranho foi a feição das pessoas, os pedestres, transeuntes pelas calçadas: Todos de vermelho e sérios demais, tristes, alguns cabisbaixos, apagados, sem brilho nos olhos, como se sentissem um encime mal-estar, sabe como?
- Sei, sei sim amor: Eu fico assim como esses quando alguém interrompe o sono no meio da madrugada...Não é mole não viu!
- E tem mais Bob: Eu estava já caminhando a uns vinte minutos rumo ao chegar ao escritório até que no meio daquele dia nublado, aonde todos vestiam vermelho e eram tristes, apagados, vi um grupo de crianças e jovens, coincidentemente de branco, a sorrir enquanto cantavam canções de amor e humanidade em uma calçada!
- Hum? Como é?
- Isso que você ouviu: Um grupo de crianças e jovens, acho que eram uns trinta, todos cantando canções de amor, fraternidade e esperança, com violões, pandeiros, chocalhos, num primeiro momento pensei que fossem Hippies: Eles sorriam e seus olhos pareciam esmeraldas de tanto que brilhavam, eram olhares de quem ainda tem esperança na vida, esperança no próximo. Eles se olhavam e sorriam, pareciam todos da mesma família, leves e cúmplices uns dos outros naquele momento quase mágico na manhã de ontem...Eu parei, me sentei com eles e me senti um deles: Me senti aquela menina boba que você conheceu no colégio a tantos anos atrás, de saia e camisa branca, cheia de trejeitos, acreditando no futuro, e uma inabalável certeza de que mais cedo ou mais tarde seria feliz como nunca tinha sido até aquele momento: Se lembra disso Bob?
- Oh se lembro! Suas pernas eram as mais lindas de todo o colégio, naquelas saias que você usava então...! Rsrs...Eu só pensava em você...
- Essa mesma menina foi a que se sentou com os jovens na manhã de ontem. Eu fiquei pouco tempo com eles na roda, e depois me despedi e continuei o caminho em direção ao escritório, mas lamentei um pouco, no fundo, pois sabia que não ia encontrar mais pessoas de branco pelo caminho.
- Que pena amor...Mas por que sentiu isso?
- Não sei, apenas senti, e de fato acabei não encontrando mais ninguém de branco. Um pouco antes de chegar ao escritório começou a chover forte, e foi sorte, pois eu estava sem guarda-chuva...
- Que bom! Menos mal, mas podemos dormir agora meu anjo? Logo mais tenho que acordar, eu e você também.
- Tudo bem querido, vamos sim.

Os dois se dão um pequeno beijo de boa noite, se viram cada um para seu canto e em silêncio adormecem.
Seis e meia da manhã o despertador impiedoso grita: Téé´téé téé téé téé téé...Bob abre custosamente os olhos e acorda Mya:

- Ta na hora de acordar dorminhoca
- Hum... (Bocejante)
- Dormiu bem?
- Dormi sim anjo, feito uma pedra desde ás dez de ontem.
- Eu também dormi super bem, recuperei as energias pra hoje!
- Mas engraçado, acho que dormi tanto e tão bem que cheguei a sonhar.
- Um sonho? Sonhou com o que gata?
- Não me lembro, mas foi bonito e eu te contava.
- Me contava, o que?
- No sonho eu te contava uma bela história, e me emocionei muito enquanto contava!
- È mesmo? Mas não se lembra de nada?
- Não, não consigo: Apenas me lembro que te acordava e te contava uma história bonita...Espero que mais cedo ou mais tarde eu acabe lembrando dela.
- Ok gata, então vamos levantar senão a gente acaba perdendo a hora de levar os meninos pra escola...

Friday, April 27, 2007


There are so many times in life when we don't want to be there where we are. There are so many times in life when you feel like if you could just careless and lead a bohemian life. There would be no destination, no aim, no future. Only present. If we could only change ourselves, if we could only be someone else...

(Autor desconhecido)



DESTINATION ANYWHERE


Destino: qualquer lugar

Diga o lugare eu estarei lá

Faça as malas eestamos longe daqui

vamos fugir...



jon bon jovi - destination anywhere (Live)

Monday, April 23, 2007


PADRONIZAÇÃO


Os bancos e caixas eletrônicos são frios!: Eles são padronizados, em qualquer cidade que se vá, eles serão da mesma cor, mesmo material e cheios de notas no seu interior. Você entra, com um olho no peixe e outro no gato, meio desconfiado se não estão te observando lá de fora, prestes a entrar e te assaltar furtivamente, ou logo após sair com a carteira mais pesada. Não tem como desassociar banco e ladrão. As duas coisas estão na sua cabeça quando se desce do carro, ás dez da noite e entra pela porta de vidro, tenso. apressado pera realizar a operação e sair: Poderia ser diferente, por que os bancos investem seriamente para que o lay-out, as cores e a temperatura-ambiente sejam o mais agradáveis para os clientes, mas o ladrão não quer saber disso. Ele não vai entrar e ser recebido com um sorriso pelo gerente e muito menos vão lhe oferecer um cafezinho enquanto o explicam as modalidades de investimento pelas quais ele pode optar: Ele apenas espreita e te espera, com a adrenalina lá no alto, impaciente com a arma em punho em direção á sua cara, aos berros: "Passa a grana, agora porra!!!"
Outro dia eu sentado papeando com os amigos, degustando um chopp mediano (Sim, mediano por que já tive melhores que aquele...), me divertindo com o impagável tom irônico do grande Daniel, ao contar das situações cotidianas...Quando viro os olhos para o outro lado da rua e lá está o Itaú (Oooohhhh...): Fechado, porém todo aceso e aparentemente seguro. Na mesma tacada, lembrei de um Itaú das Mercês (Um bairro de Curitiba), de um sábado à noite em que passamos por ele, antes de ir pra qualquer outro lugar se divertir: Os bancos quase idênticos, não gêmeos, mas irmãos ou primos de primeiro grau, mesmas cores, mesmas luzes brancas beirando o etéreo, o visual "ultra-clean", o silêncio quebrado apenas pelos tons das teclas quando se digitava a senha, e o alegre barulhinho das notas sendo selecionadas e disponibilizadas simultaneamente com a mensagem na tela "Retire seu dinheiro".
Bancos tão iguais, com as mesmas características e adversidades, como os ladrões de plantão e afins. Cidades distantes e os bancos sempre serão iguais, e sempre que você se sentar para tomar um chopp com seus amigos e olhar para qualquer banco lembrará de um semelhante de outra cidade por onde passou: É sempre assim, eles são iguais e me fazem lembrar de lugares diferentes por onde andei: Até que não é uma má idéia...



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Essa é a banda e essa é a canção!

Bon Jovi - The distance

http://www.youtube.com/watch?v=MBnoK5lXMxY

Thursday, April 12, 2007


NO SUCH THING (Tradução)
CHRIS CORNELL


Eu vi o mundo, ele era maravilhoso

Mas a chuva chegou e acabou com tudo

Então eu tentei ficar invisível

Mas foi impossível... até mesmo para mim

Eu zombei do amor, foi um grande erro

E eu preenchi a sua ausência com ódio


Pois não há nada como o vazio

Sim, não há nada como o vazio


Eu era esperto o bastante

Para não pensar no assunto

Mas a chuva chegou e eu pensei demais no mundo

E, como de costume, eu caí num vazio

Eu tentei fazer com que tudo perdesse o sentido

Mas a chuva chegou e bagunçou com tudo


Pois não há nada como o vazio

Sim, não há nada como o vazio

Mas o meu dedo está no gatilho

E eu vou "apagar" o mundo...


Então, o que me dá o direito de pensar

Que eu poderia jogar fora uma vida?

Até mesmo a minha própria...E o que te faz pensar

Que você poderia escapar do envelhecimento

Passando por cima de mim?


Talvez perder ou salvar a sua alma

Seja apenas uma questão de como você preenche o buraco (vazio)

E a chuva chegou...


Pois não há nada como o vazio

Sim, não há nada como o vazio

Mas o meu dedo está no gatilho

E eu vou "apagar" o mundo.





Alguém que você ama, não está mais
buscou abrigo em outro peito
E agora? O que te resta senão sangrar?
Ciume de sabor amargo se olhando no espelho
Se arrepender é nobre, mas é fel ao paladar
E mesmo na dor, existe beleza...



ARMS AROUND YOUR LOVE (Tradução)

CHRIS CORNELL

Com os braços dele em volta do seu amor

Ah não, lá vem a dor que você não pode ignorar


Com os braços dele em volta de sua garota

Ele fará todas as coisas que você não fez antes

Você teve todas as chances, mas fechou a porta



Agora você vai ter que aceitar

(Porque se você não sabia)

Ela vai fazer você pagar por isso

(Um preço que você não pode arcar)

Você vai ter que aceitar

Com os braços dele em volta do seu amor



Finja que você não se importa

Mas você sabe tudo o que deixou para trás

E teria dado tudo certo

Se você dissesse metade dos elogios que tanto guardou...

Você achou que ela ficaria nessa viagem.



Confessar tudo parece tão perigoso

Só um pouco já seria o bastante

Mas você nunca disse todas as palavras em sua cabeça

Como se o seu coração estivesse morto

Bem, agora ele está sangrando e partido

Se você dissesse metade dos elogios que tanto guardou...

Você achou que ela ficaria nessa viagem.



Agora você vai ter que aceitar

(Porque se você não sabia)

Ela vai fazer você pagar por isso

(Um preço que você não pode arcar)

Você vai ter que aceitar

Com os braços dele em volta do seu amor...


Arms around your love - Video




Wednesday, April 11, 2007


Bom, devido ao meu atual estado de espírito e das lições importantes que a vida tem me ensinado, eu não ando muito a fim de escutar canções de separação, ou breakdown songs...rsrs Mas eu gosto muito dessa aí. Ouço todo dia, e canto todo dia: Talvez por que seja uma breakdown song mais "alto astral" que as Bon Jovi, por exemplo (Que eu adoro, porém me matam...hehe). Razor Flowers é demais! =)


RAZOR FLOWERS (Freak Kitchen)


You should know better and so should I

That rapid tongue brings out my Evil Eye

So, here we are now, it’s like a curse

I see you shaking, hyper ventilating

A blow without a warning

This can’t get any worse


You must remember to forget you ever knew me

You must remember to forget I was ever by your side

Remember to forget you ever got the razor flowers


Self-esteem is running low

Ran out of good times much too long ago

Those lying pictures on our shelf

I pray that someday you begin to feel

All your wounds heal

I loathe my stinking self


You must remember to forget you ever knew me

You must remember to forget I was ever by your side

Remember to forget you ever got the razor flowers


Don’t trust my charming smile

The Razor Flowers

Will only bloom a while...

Friday, April 06, 2007








MAYBE (The Jelly Jam)


At almost any time there's too much on my mind

so much it makes it hard to think

and just like most any day the same things come my way

and after all i'm on the brink

but i'm paralyzed by something less

and i can't get over emptiness

so i dull the pain and ease my brain and the time

i'mfeeling strain of something

if i had the time to ease my mind

then maybe i would fly

if i had a way to help me stay

then maybe i would fly...

Thursday, April 05, 2007


Há algum tempo ouvi que o futebol era uma “dramatização” da vida: Os dribles que temos que dar nas dificuldades, os zagueiros que impedem que se consiga o gol.O gol, este sim a maior realização da vida! Passar no vestibular, ser promovido, conseguir comprar o carro que tanto se queria, ver um filho nascer...Gols de placa, vitórias.
Partindo dessa de que o futebol ilustra situações do cotidiano da gente, é que vi a sensacional reação do Gama frente ao Vasco da Gama em pleno Maracanã ávido pelo milésimo gol de Romário. Vi um Gama que desde o início jogou com brio, a fim de mostrar que não seria tão fácil ser batido pelo Vasco e pelo milésimo gol: Vi jogadores cheios de disposição em marcar e atacar, estimulados certamente por tudo o que circulou na mídia em relação ao milésimo gol de Romário: Todos contavam com o milésimo gol nesse jogo, um batalhão de jornalistas, fotógrafos, vascaínos que lotaram o maraca e apreciadores do bom futebol, que viram o jogo em seus lares. Contaram com a vitória do Vasco e o milésimo gol, sem se dar conta de que do outro lado estaria um time bem treinado, e cheio de raça, a fim de “estragar” a festa dos vascaínos.
Em campo, um Romário quase plantado, pouca movimentação, facilitando a vida dos zagueiros que o marcavam com toda a atenção.O Vasco meio perdido em campo, desorganizado taticamente, e jogando em função do Romário, que centralizado na área do gama, era presa fácil para os zagueiros: O Gama abriu o placar com um chute de longa distância, e um frango do goleiro.O Vasco respondeu com um gol de cabeça...Acaba o primeiro tempo e Romário apagado, parecendo cansado, sai de campo sem explicações convincentes sobre a atuação do time e dele próprio.
Começa o segundo tempo, e naturalmente a tensão e expectativa em cima do milésimo gol crescem com o passar dos minutos: Romário volta da mesma forma que se apresentou no primeiro tempo, e o time pouco ameaça o gol adversário. E o milésimo, e a festa, e os olhos do Brasil inteiro na partida, e...? Quase terminando o jogo, surge uma falta de longa distãncia para o time de Brasília, e para a frustração de todos (menos os torcedores do Gama, é óbvio), sai um golaço de falta!: Batida forte e com uma precisão impressionante, que bateram o goleiro vascaíno...
2 x 1!!! Mas o que é isso? O Gama venceu, desclassificou o Vasco da Copa do Brasil? Romário não fez o milésimo gol?
Os brasilienses calaram um Maracanã lotado? Sim...
Os jogadores do desacreditado e vitorioso Gama vibrando e o Vasco acabado, sem acreditar no que tinha acontecido. Confesso que como um apreciador do bom futebol e de suas cores, fiquei sem palavras quando o gama fez o gol, pois assim como a maioria do país, eu queria ter visto Romário marcar o milésimo gol, o histórico gol 1000.
È por essas e outras que o futebol é tão apaixonante, por que existem viradas, existem surpresas, existe raça, existe lágrimas de tristeza e alegria, existe brio, orgulho, luta, derrotas e vitórias sensacionais, como essa do time de Brasília: Surpreender, quando não acreditam em você, quando prevêem seu próximo minuto, dia, mês, ano e você escreve diferente, traça seu próprio caminho rumo á vitória, dentro das quatro linhas do campo da vida.
Não dá certo essa coisa de achar que já ganhou, subestimar o outro, desacreditar, por que o engano, a surpresa é sempre certa. Romário não marcou, o Gama venceu e eliminou o Vasco do campeonato: Eu achei que ia fazer sol, mas choveu, por assim dizer, mas vi uma bela vitória, achei lindo, assim como todo jogo e todo grande lance que já vi na vida: Dribles, jogadas, viradas espetaculares. O que é certo é que o futebol volta e meia me ensina e reforça alguns conceitos.
Ééééé Romário, se quiser vai ter que fazer o milésimo em Cabo Frio, contra o Cabofriense pelo estadual! Hehe...Que venha o milésimo do Roma, e parabéns ao surpreendente Gama.

Tuesday, April 03, 2007


Freak Kitchen é um power trio sueco que há alguns anos já vem surpreendendo com ótimos discos e musicas: O principal compositor é um louco (no melhor sentido que a palavra possa ter) chamado Mathias Eklundh (que além de um musico brilhante é um “boa praça”, bem humorado e palhaço (hehe), vide as entrevistas e vídeos de workshops...). Ainda não tinha baixado esse mais recente da banda: "Organic", e quando ouvi pensei: "Por que não conheci esse disco antes...?". O Gênio Mathias Eklundh é de fato o cara! O que mais me impressiona no momento: Além de criar as bases e solos mais fantásticos, daqueles que a gente imagina, mas não consegue expressá-los nas seis cordas, o cara ainda escreve legal e canta idem! (As melodias dos vocais são melodicamente empolgantes!). Bom, sem mais delongas: Se gosta de rock e quer ouvir algo criativo, e fugir da mesmice de bandas e bandas que se copiam á exaustão...Freak Kitchen no último volume pra salvar. =)
Freak Kitchen - Nobody's laughing

Thursday, March 29, 2007


Estradinha
Juntos, por uma estradinha gentil
Era como nos sonhava
Quando passava a pé, de chinelo rasteiro
Em frente á minha casa
Diante dos meus olhos
Olhos de quem nada era
Mas em contemplação e enlevo
Degustavam-te com zelo
Ao sabor de dias imaginários
Tua pele sem máculas
O vento brincava em teus cabelos
Passos a cortar meu peito
Teu rastro era um punhado de meus delírios
E eu os juntando do chão
Como quem cata conchas
Eu sei da beleza presente em tudo
Sei tudo o que é seu

Mas tua imagem sumiu
Da paisagem da rua
A estradinha só existia para firmar-te os pés
Ao lado dos meus
Em meus olhos o vazio de rostos estranhos
Perdidos em um vai-e-vem sem vida
Será que algum amor levou-te pra longe.

A estradinha desvaneceu...






Novela

Eu não sou telespectador de novelas, nunca fui...Bom, com exceção da uma novela chamada "quatro por quatro", de alguns anos atrás, que era assistida pela minha turma inteira: A galera comentava as cenas, e situações, discutiam seus palpites sobre o que ia acontecer no próximo capítulo, ou o que deveria acontecer com os mocinhos e os vilões. Não tenho nada contra novela, pelo contrário; Até acho legal, as interpretações de alguns bons atores, textos interessantes, passagens familiares (... eu já vi esse filme), etc...Mas definitivamente não tenho saco pra acompanhar. Acho alguns atores e atrizes nacionais simpáticos, por entrevistas que já vi, coisas que já li sobre eles: Um desses é o Fábio Assunção, que faz a personagem "Daniel" nessa nova novela da noite. Acho o cara bem legal, assim como o tom que ele dá ao apaixonado Daniel, que é movido pelo amor que sente por uma menina simples, cuja brejeirice e leveza o conquistou: Paula. (Poderia se chamar Ana, Cristina... acho mais delicados).
Nosso país é fomentado em uma cultura secular paternalista, e por conseqüência, machista: Nós homens (e algumas mulheres infelizmente...) sempre tentamos ser durões, esconder o que sentimos, engolir o choro e nos privar das lágrimas, crendo que estas são privilegio somente do sexo feminino: Quem já não ouviu um “- Homem não chora”.
Já vi muito cara porco nesse sentido, por natureza, por que aprendeu isso em casa, desde cedo, mas o que acho mais ridículo é ver caras que tiveram uma educação equilibrada (valores maternos/femininos + valores paternos/masculinos), se “forçando” uma capa de machão escroto a todo custo: A troco não sei do quê...
Eu creio em uma outra vertente quando vejo traços da personalidade feminina nos meus maiores ídolos: Escritores, músicos, oradores, jornalistas, etc...Que dão um toque sutil ao jeito de ser das caras, e à criatividade dos mesmos.
Alguns amigos brincam comigo repetindo frases “supostamente” ditas por mim: “-Todas as mulheres devem ser amadas...”, “- O vinho é a bebida do amor...”, “Como vai senhorita? És uma princesa...”, e por aí vai...(hehehehe...) È divertido por que brinco muito com isso, é saudável, mas tem muitas das frases que tenho certeza absoluta que nunca saíram da minha boca...
Parece algo meio fora de moda “ser apaixonado”, parece coisa da Hollywood dos anos 50, com seus belos e clássicos filmes descoloridos, como Casablanca (Quem não conhece aquela famosa e nostálgica trilha musical do filme, só menos conhecida do que o hino nacional...!?). Não poxa, gostar de alguém e gostar com lirismo não está fora de moda não, por mais que o funk e outras aberrantes culturas de massa insistam em dizer isso. Prova do que digo é que essas histórias, situações cheias de romantismo, ainda nos fazem olhar com olhar de bobos para a tv, para as telas dos cinemas, para as páginas dos livros, para o rosto de Chico Buarque em um teatro lotado, enquanto ele canta sereno, dedilhando um violão: “-Não se afobe não que nada é pra já, o amor não tem pressa, ele pode esperar...”. A expressão emotiva da personagem Daniel é cativante, bobo ao falar da mulher que o prendeu em um olhar, em um sutilmente evasivo baixar de cabeça, tímida e ruborizada: Poucas coisas são tão doces quanto uma mulher com um brilho de esperança nos olhos e tímida.
Como já disse, eu não vejo novela, não acompanho, mas certas coisas são legais, são bonitinhas!
Sinceramente não sei o que aconteceu comigo, por que há algum tempo atrás, eu pensaria duas vezes antes de escrever em um blog que acho o Fábio Assunção legal, e que me identifico com uma personagem interpretada por ele...hehehe. Devo estar ficando velho...!
=)

Thursday, March 22, 2007

Me lembro que há algum tempo atrás, um anjo me disse que amava essa canção...Eu já gostava da musica, mas depois de saber que o anjo cantava a canção com o coração cheio de esperança, eu percebi o quão singelo e bom pro espírito é poder cantar versos que falam de coisas verdadeiras, como uma oração de amor, renovando os bons frutos e esquecendo das coisas escuras: Mesmo com tantos problemas, dramas e dificuldades que cada um tem, que cada um passou pela vida, o que alimenta os sonhos e a porção de fantasia tão necessária pra que possamos sorrir, é o amor que sentimos: As pessoas que amamos, a família, os amigos queridos. E para que se chegue ao estágio de amar alguém, é preciso olhar e perceber a beleza de cada um, a leveza, aquilo que de mais nobre e sincero se tem para oferecer: Olhando essas virtudes, o mundo some, fica longe e de tal contemplação nasce uma flor chamada paixão.
Se apaixonar, o que seria? Acho que não é possível definir, mas sim abrir os braços e sentir, em cada póro, cada suspiro, cada instante...

Que essa canção nunca saia de mim, por que me faz um bem danado! :)
RUNNAWAY - THE CORRS
(Tradução)
Fugir

Diga que é verdade

Não há nada como eu e você

Nào estou sozinha

Diga que você sente isso também



E eu fugiria

Eu fugiria

Eu fugiria com você



Porque eu estou me apaixonando por você

Não, nunca

Eu nunca vou parar de me apaixonar por você



Feche a porta

Deite-se no chão

E à luz de velas

Faça amor comigo a noite toda

A noite toda...



Porque eu fugiria

Eu fugiria

Eu fugiria com você



Porque eu estou me apaixonando por você

Não, nunca

Eu nunca vou parar de me apaixonar por você




(Runnaway (live) )


Monday, March 19, 2007



Real

Eu ando ao seu lado
vou assim por que jamais iria melhor
ruim sou eu por mim mesmo
sem sal, falta de desejo
por mim mesmo, por vazes estive pior

Eu ando ao seu lado
preciso da sua ajuda pra montar um castelo
pedra por pedra a cada alegria
pra minha noite, teu sorriso é dia
Dá-me a mão, em ato real e sincero

Eu ando ao seu lado
pelos campos, pelas cidades
a pé, voando ou mesmo em pensamento
cristalina paisagem, alma de puro intento
coração de mel, singela simplicidade

Eu ando ao seu lado
por que na multidão não existe ninguém
um cão que procura e nunca encontra
pelo fogo passo e me visto de honra
quando teu olhar me diz que posso ir mais além

Eu ando ao seu lado
por que vejo esperança
vejo que a nobreza redime
amor é única palavra que resiste
e andando contigo, pra sempre serei criança.















Wednesday, March 14, 2007


Como areia por entre os dedos
É muito louco perceber como a vida dá voltas e o destino te surpreende de maneira absurda! Tanta lágrima e suor, tanta saudade e solidão, paixão e fogo adormecidos debaixo de uma espessa camada de gelo.
Eu saí de uma cidadezinha do interior do sul do país, o clima era bom, e as ruas dos bairros tinham galerias de árvores nas calçadas: Essa imagem da rua indo ao longe, meio vazia em dias de manhãs de inverno, era de fato uma bela imagem! Com o dia frio e nublado, as árvores se despiam das folhas e as deixavam cair no chão, colorindo as ruas...Eu gostava das árvores, mas não tanto quanto hoje, por que não as tenho mais diante dos meus olhos, e tudo o que se perde, cresce dentro do coração. Que saudade daquela pequena casinha em estilo europeu, em madeira escura, como uma espécie de mogno: Era lá que morava Ana, minha doce namoradinha, a dona dos meus pensamentos e do meu jovem coração indomável. Era tão bom tomá-la pela mão e ir até o leito do riacho que passava ao final da rua principal da vila: Sentávamos e jogávamos pedras na água, e enquanto as pedras formavam as pequenas ondas na água, a gente falava de futuro: Nossa! Éramos amigos e falar de um futuro juntos era tão comum e leve que nem parecíamos duas crianças. Ana estava em todos os meus sonhos, e era como se eles não existissem sem a imagem dela a sorrir, lhes dando vida e cor: Ela me sorria quando achava graça das minhas roupas, minhas bermudas largas, quase a cair do meu corpo: Eu achava graça nela, era tão bela e tão apaixonantemente ingênua, como se o mundo lá fora nunca fosse nos tocar, estaríamos sempre seguros no nosso mundinho particular e aquecido, Tranquilo demais que naquelas tardes bocejávamos. Naquele lugar aonde o tempo parecia não passar para nós dois.
Eu já estava com dezessete e meu pai começava a fazer das conversas "de homem para homem", um hábito freqüente:
- O que você acha de ir para a capital estudar lá? Tenho pensado muito no seu futuro e no que vai se tornar...Quero me orgulhar de você assim como me orgulho de seu irmão.

Meu irmão sempre foi admirado pela força e dedicação com que estudava e aprendia as coisas mais difíceis de se dominar. Me lembro que papai gostava de sentar com ele com os livros de mecânica de automóveis abertos em cima da mesa e explicar sobre aquilo tudo, olhar nos olhos dele, orgulhoso, e ver o interesse em saber mais sobre como um carro funcionava. Meu irmão já tinha saído do nosso meio há três anos, e nos visitou apenas quatro vezes nesse tempão todo. Nos poucos momentos que estive ao lado do meu irmão, nessas ocasiões em que ele nos visitou lá, o percebi diferente, como se tivesse mudado e afeiçoava um ar seguro, como se fosse um vencedor, um sortudo por conhecer a capital e o mundo lá fora, toda a informação e todas as suas luzes de neon: Dizia que queria terminar a faculdade tentar fazer uma pós-graduação fora do país, dizia que os amigos dele tinham belos carros e que ele queria um também, falou muito em dinheiro, valores das coisas, preços, aplicações em bancos, falava com um entusiasmo irreconhecível, como se fosse um profundo conhecedor de finanças, juros e essas coisas que eu nunca entendi, e confesso até hoje saber apenas o indispensável. Ele sempre foi um cara inteligente, mas ainda jogava bola com a gente no campo ao lado da casa do seu Jonas, saíamos para tomar banho no riacho, outras vezes pescávamos e era como uma competição, pra ver quem conseguia os maiores peixes: Era muito divertido! Quando caia a noite, cada um da turma ia para a sua casa tomar banho, pentear bem os cabelos lavados e limpos, para irmos ao parque em época de festa na cidade. Eu gostava daquela brincadeira dos tiros, aonde se tem que derrubar os alvos para ganhar um brinde, que geralmente era um ursão empoeirado ou uma boneca de pano: Sempre quando chegava minha vez de atirar eu ficava tenso, e meu irmão sempre chegava perto, segurava minhas mãos já com a espingarda de pressão apontada e dizia:
"- Se segurar assim a chance de acertar é maior, seu jeca... Tem, que segurar assim, como estou te ensinando...”
Ele sempre sabia tudo, sempre foi assim, mas era nosso amigo, estava sempre com a gente aonde quer que fôssemos, mas desde que tinha se mudado para a capital, mudou muito...Parecia até um velho falando, conversando com a gente lá em casa, em um tom quase formal e desnecessário afinal não éramos professores de universidade ou colegas cultos de sala: Éramos a família dele!
Não demorou muito para que meu pai em suas idas á capital, iniciasse sua procura por imóveis, repúblicas e universidades para mim. Nas duas primeiras vezes que ele foi, me chamou para ir junto, mas inventei que estava com dor de cabeça, muito forte para aguentar bem horas e horas até a capital. Na terceira vez em que ele foi, me chamou, praticamente como um ultimato ameaçador:
- Amanhã sairemos às sete da manhã. Arrume sua mochila com algumas peças de roupa, pois vamos ficar lá dois dias. Quero que você conheça algumas pessoas que lhe ajudarão quando se mudar para a capital, e conheça duas universidades que gostei: Quero que dê sua opinião a respeito de tudo, eu já liguei para o seu irmão e ele vai nos ajudar nessas escolhas...Ok?
- Mas pai, eu tinha que visitar a dona Lucinda amanhã...A Ana me disse que ela está meio doente, e o senhor sabe que ela sempre gostou muito de mim não é?
- Se quiser vá hoje lá visitá-la, amanhã partiremos ás sete.
- Mas pai, eu já tinha combinado com a Ana que... (Fui bruscamente interrompido)
- Você tem certeza que quer insistir com isso e me irritar? (Falou olhando nos meus olhos e em um tom acima do normal dele)
- Não pai, desculpa...
- Ok, amanhã sairemos umas sete da manhã: Se fosse você ia arrumar agora sua mochila, e dormir mais cedo.

Eu entendia a preocupação de meu pai naquela época, mas eu amava minha casa, e não me imaginava longe da Ana, seria uma crise realmente difícil viver longe deles todos e eu não sabia se suportaria e como reagiria quando não tivesse mais a comidinha de minha mãe toda vez que sentisse fome, e nem o colo de Ana quando quisesse conversar sobre como nossa vida era legal, como algumas pessoas da escola eram bobas, como eu a achava linda quando estava de camponesa e adorava saber que ela sempre estaria lá por mim...Eu tinha medo de me tornar uma pessoa como meu irmão, como se tivesse congelado e vivesse apenas para competir, faminto por dinheiro...Eu sabia que no fundo, meu irmão ainda era a mesma pessoa, mas escondeu isso do mundo e vestiu uma outra pessoa por cima daquela que realmente ele é: Ele estava irreconhecível até para nós.
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Tuesday, March 06, 2007


CASA COMIGO

Casa comigo
deixa eu ser seu homem
deixa eu ser seu amigo

te digo e se quiser repito
se não sabes, vem que te ensino
sou multi-uso, sirvo pra tudo
mato barata, mato mosquito
do coração, bem lá do fundo
guardei-te uma pedra de valor infinito
de bruta matéria à fino produto
depurei com fogo meu coração maledito
maledito mesmo, com pompa e tudo
de tudo o mais fiel sentimento bendito

te digo amiúde, zeloso e contrito
casa comigo
deixa eu ser seu homem
deixa eu ser seu amigo


de papel passado e escrito
casa com boa mobília,a decorar-te os olhos
mesa, toalha, salada de milho e palmito
bem sabes que terás meu colo
nas noites em que teu corpo arder aflito
carecendo de beijos e lingua famintos
a sentirem teu corpo, como nunca dantes o haviam sentido
juras de um amor interrompível baixinhas ao pá do ouvido
o luar redondo lá fora nos sorriria branquinho
te digo repetitivo como um papagaio
Presto e tenaz como um piriquito
que das aves, me é o bicho mais bonito
casa comigo
deixa eu ser seu homem
deixa eu ser seu amigo

Não tenho estudo, nem anel de doutor
mas tenho gosto em viver, força pra labutar no que for
caminhava sozinho, té que avistei uma flor
que tinha teu cheiro, balançava leve quando sentia da brisa o frescor
tanta boniteza, na minha frente, pobre calango arredio
Só podia ser sinal de Deus ou do meu padinho padre cíço
por que
os dois sabem do que eu quero e o que preciso
lembro do teu sorrir, que me guarda da dor, como ovelha num aprisco
radioso te peço, custoso sei, mas repito
tão certo quanto de Moraes, era Vinícius
casa comigo
deixa eu ser seu homem
deixa eu ser seu amigo